Peixe BR 10 anos

13 de agosto de 2026

Após oscilações no primeiro semestre, mercado da tilápia projeta recuperação dos preços nos próximos meses

Após oscilações no primeiro semestre, mercado da tilápia projeta recuperação dos preços nos próximos meses

Queda sazonal do consumo e avanço das importações pressionaram o setor, mas cenário para a segunda metade do ano é de maior equilíbrio, diz PEIXE BR

Depois de iniciar 2026 em alta, impulsionado pelo aumento da demanda durante a Quaresma e a Semana Santa, o mercado brasileiro da tilápia perdeu força ao longo do segundo trimestre. A combinação entre a desaceleração sazonal do consumo com a chegada do inverno e o avanço das importações de pescado do Vietnã ampliou a pressão sobre os preços pagos aos produtores e comprometeu a rentabilidade de parte da cadeia.

A partir do fim do primeiro semestre, porém, o ritmo das compras externas começou a perder força. Dados mais recentes da Embrapa Pesca e Aquicultura mostram que, após atingirem o pico de 1.956 toneladas em março, as importações de tilápia do Vietnã recuaram de forma consecutiva nos meses seguintes, chegando a 1.342 toneladas em junho e a 957 toneladas em julho, uma redução de aproximadamente 29% em relação ao mês anterior.

Sazonalidade e pressão das importações no primeiro semestre

Na avaliação do presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, o comportamento dos preços no primeiro semestre acompanhou a sazonalidade tradicional do mercado, com valorização no início do ano e acomodação nos meses seguintes. “O primeiro trimestre foi bastante positivo para os produtores. No entanto, a chegada do inverno reduziu a demanda e coincidiu com um aumento expressivo das importações no início do ano, contribuindo para pressionar os preços pagos ao produtor”, ressalta.

O efeito foi especialmente sentido em São Paulo, principal mercado consumidor do país. Segundo Medeiros, nos cinco primeiros meses do ano, o volume de tilápia importada correspondeu a cerca de 30% da produção paulista estimada no mesmo período, ampliando a concorrência com o produto nacional.

“As importações afetam diretamente a formação dos preços e pressionam a saúde financeira das empresas da cadeia produtiva. É uma concorrência que ocorre justamente em um momento de menor consumo, tornando o cenário ainda mais desafiador para os produtores brasileiros”, analisa o executivo.

Desaceleração das importações melhora perspectivas para o segundo semestre

Apesar do cenário adverso no primeiro semestre, a redução das compras externas observada nos últimos meses abre espaço para uma perspectiva mais positiva na segunda metade do ano. No acumulado de 2026, São Paulo e Santa Catarina concentram cerca de 83% das importações, com 4.068 toneladas e 3.433 toneladas, respectivamente. Em julho, no entanto, Santa Catarina passou a liderar as compras do mês, com 419 toneladas, enquanto São Paulo importou 364 toneladas.

Para a PEIXE BR, a expectativa é de recuperação gradual dos preços pagos ao produtor no segundo semestre, apoiada pela retomada sazonal do consumo e pelas medidas adotadas por estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, que estabeleceram restrições ou exigências relacionadas à comercialização da tilápia importada do Vietnã.

“A tendência é de manutenção e até de recuperação dos preços ao produtor no segundo semestre. As iniciativas adotadas pelos estados ajudam a reduzir a pressão das importações sobre o mercado interno e podem contribuir para restabelecer um ambiente mais equilibrado para a produção nacional”, conclui Medeiros.