10 de junho de 2026
Aquishow 2026: Mesmo sob pressão, tilapicultura brasileira avança e mira liderança mundial até 2040

Presente no evento, PEIXE BR celebra recorde de produção alcançado em 2025 e confirma a capacidade de expansão e a resiliência da piscicultura nacional
A piscicultura brasileira vive um momento histórico de crescimento, mas enfrenta desafios regulatórios, sanitários e comerciais que exigem reação rápida do setor. Durante participação na Aquishow 2026, em Uberlândia (MG), o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, destacou que a produção nacional ultrapassou pela primeira vez 1 milhão de toneladas em 2025, consolidando o Brasil entre os maiores produtores de peixes cultivados do mundo.
Atualmente, a tilápia responde por cerca de 70% da produção aquícola nacional e posiciona o Brasil como o quarto maior produtor mundial da espécie. Esse protagonismo tem colocado a atividade no centro de importantes debates regulatórios, sanitários e comerciais, que desafiam a competitividade e o crescimento do setor.
Segundo Medeiros, a principal preocupação atual é a discussão no âmbito da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) sobre a possível classificação da tilápia como espécie exótica invasora. Ele alertou que a medida poderia gerar insegurança jurídica, afetar investimentos estimados em mais de R$ 100 bilhões e comprometer milhares de empregos ligados à cadeia produtiva.
No campo comercial, Medeiros avaliou que a nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tende a ter impacto menor do que o registrado anteriormente. De acordo com ele, as empresas do setor aprenderam a diversificar mercados e fortalecer a presença no mercado interno.
O avanço das importações de filé de tilápia vietnamita foi outro tema destacado. “O problema central não está no custo de produção na fazenda, mas nas diferenças tributárias, regulatórias e de processamento entre os países”, disse o presidente. Conforme compartilhou, estados como Paraná, São Paulo e Minas Gerais vêm adotando medidas para proteger a produção nacional e a reação rápida da piscicultura brasileira demonstra um nível de organização raro no agronegócio.
Apesar das dificuldades, o presidente mantém uma visão otimista para o futuro. “A cadeia produtiva tem mostrado forte resiliência diante dos desafios recentes e reiterou a projeção da PEIXE BR de que o Brasil alcançará a terceira posição mundial em produção de tilápia até 2030 e se tornará o maior produtor global da espécie em 2040”, concluiu.