Peixe BR 10 anos

10 de junho de 2026

Aquishow 2026: Setor da tilápia busca alternativas diante de risco de nova taxação nos Estados Unidos

Aquishow 2026: Setor da tilápia busca alternativas diante de risco de nova taxação nos Estados Unidos

Nos corredores de um dos maiores eventos de aquicultura do país, a PEIXE BR chamou atenção para os possíveis impactos de novas tarifas sobre as exportações brasileiras

A possibilidade de uma nova taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gera preocupação para o setor de tilápia, especialmente para as empresas que dependem das exportações. Embora o impacto sobre a produção nacional deva ser limitado, a medida pode reduzir a rentabilidade ao longo da cadeia produtiva, o presidente-executivo da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

Atualmente, o Brasil ocupa posição estratégica no mercado norte-americano de filé fresco de tilápia, considerado um produto premium. A logística aérea entre os dois países é um dos diferenciais competitivos que permitem ao pescado brasileiro chegar rapidamente aos consumidores.

“São poucos os países que conseguem atender esse mercado. O Brasil construiu uma posição importante graças à qualidade do produto e à disponibilidade de voos diários para os Estados Unidos”, destaca Medeiros.

Segundo ele, aproximadamente 90% das exportações brasileiras de filé fresco ainda têm como destino os Estados Unidos, embora parte dos embarques já seja redirecionada ao Canadá. Durante períodos anteriores de instabilidade comercial, o setor ampliou as vendas para o mercado canadense, reduzindo parcialmente a dependência do mercado norte-americano.

Apesar da relevância das exportações, elas representam entre 3% e 5% da produção nacional de tilápia. Por isso, caso a tarifa seja implementada, o mercado interno tem capacidade para absorver o volume que deixaria de ser exportado. O desafio maior estaria concentrado nas empresas exportadoras, algumas das quais destinam entre 30% e 50% de sua produção ao mercado externo.

De acordo com Medeiros, esse movimento tende a pressionar toda a cadeia produtiva, desde a indústria até os produtores. Após um período de valorização da tilápia, os preços pagos ao produtor encontram-se atualmente estáveis, mas uma eventual restrição comercial pode comprometer a rentabilidade do setor.

Outro fator de preocupação é o avanço de concorrentes internacionais. Enquanto o Brasil atua principalmente no segmento de filé fresco, países da América Central podem ampliar sua participação nos Estados Unidos caso o produto brasileiro perca competitividade.

Além disso, ainda não há definição sobre o alcance das medidas comerciais discutidas pelos Estados Unidos. “Não sabemos se os países concorrentes também serão taxados. Precisamos trabalhar considerando o cenário mais desafiador, em que eles permanecem sem tarifas e o Brasil não”, realça.

No curto prazo, a principal alternativa para o setor seria ampliar a oferta no mercado doméstico. Já mercados como a União Europeia seguem com acesso restrito para proteínas animais brasileiras, limitando as possibilidades de diversificação das exportações.

Para Medeiros, o principal desafio do setor está na ampliação dos mercados compradores e na construção de um ambiente regulatório mais competitivo. “O Brasil tem condições de competir internacionalmente. Os custos de produção da tilápia são semelhantes aos observados em grandes produtores mundiais. O que precisamos é de um ambiente regulatório que permita exportar para mais países e ampliar nossas oportunidades comerciais”, conclui.