Peixe BR 10 anos

17 de dezembro de 2025

Piscicultura fecha 2025 com retomada de preços e agenda regulatória

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A piscicultura brasileira encerra 2025 com recuperação de preços, ampliação do consumo interno e mobilização institucional em temas como tarifaço, espécies invasoras e importações, segundo avaliação da Peixe BR.

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A piscicultura brasileira chega ao fim de 2025 após atravessar um ano de oscilações, ajustes de mercado e debates regulatórios que impactaram diretamente produtores e indústrias. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, que descreve o período como marcado por dois momentos distintos e por avanços estruturais na cadeia.

De acordo com Medeiros, o primeiro semestre foi caracterizado por elevada oferta de peixe, o que pressionou as cotações pagas ao produtor. “Tivemos um primeiro semestre com grande oferta de produto, o que pressionou os preços para baixo. As indústrias também reduziram valores no food service e no atacado”, afirma.

A partir da segunda metade do ano, o cenário mudou com a recuperação gradual da demanda. “No último trimestre, houve uma recuperação significativa dos preços pagos ao produtor. A indústria, no entanto, teve dificuldade em repassar esses valores imediatamente ao mercado”, relata. Ainda assim, o setor encerra o ano com avaliação positiva, sustentada pelo consumo interno e por medidas estruturantes.

Um dos pontos destacados pela Peixe BR foi a inclusão do peixe de cultivo na cesta básica da reforma tributária. Para Medeiros, a medida amplia a competitividade no mercado doméstico e cria condições mais favoráveis para o crescimento do consumo. Ele observa que o período de preços mais baixos também contribuiu para atrair novos consumidores. “O consumidor buscou saudabilidade e sabor e passou a preferir o peixe de cultivo, em especial a tilápia. Muitos desses consumidores se mantiveram”, afirma.

No comércio exterior, o chamado tarifaço sobre exportações trouxe impactos assimétricos. Segundo o presidente da entidade, o efeito sobre o volume total produzido foi limitado, já que as exportações representam entre 3% e 5% da produção nacional. “Para as empresas exportadoras, que têm investimentos dedicados, o efeito no fluxo de caixa foi muito significativo”, pondera. A redireção do produto ao mercado interno exigiu ajustes operacionais e comerciais ao longo do ano.

Outro tema sensível foi a proposta de inclusão da tilápia em uma lista de espécies invasoras. Medeiros destaca que a decisão foi adiada pelo Ministério do Meio Ambiente para 2026, mas segue no centro das atenções do setor. “Essa é uma grande preocupação. Estamos trabalhando intensamente para evitar a inclusão, o que é determinante para o negócio”, afirma. A associação atua junto ao Congresso, ao setor produtivo e à sociedade com base em informações técnicas sobre a atividade.

As importações de pescado do Vietnã também geraram debates em 2025. De acordo com Medeiros, a entrada de produto ocorreu em um momento de ampla oferta interna e preços pressionados ao produtor. “A importação deve ocorrer quando há falta de produto, o que não era o caso. Além disso, há diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e trabalhistas que comprometem a isonomia competitiva”, observa. A entidade cobra ajustes para assegurar concorrência equilibrada.

Para 2026, a Peixe BR mantém foco na competitividade e no acesso a mercados. A agenda inclui atuação regulatória em níveis estadual e federal e projetos técnicos voltados à genética, tecnologia, produção e processamento. “O produtor precisa perceber esses ganhos na propriedade. Esse é o direcionamento da associação ao longo de sua trajetória”, afirma Medeiros.